Como é o consumo de café no Brasil?
O Brasil segue sendo o segundo maior consumidor de café do mundo.

Como é o consumo de café no Brasil?

Nesse conteúdo, você vai entender como o brasileiro vem consumindo café atualmente, inclusive os cafés especiais e muito mais! 

A maioria dos brasileiros não abre mão do consumo de café diariamente. Seja no início da manhã para realmente despertar, nas pausas do trabalho para relaxar ou em encontros sociais para confraternizar, a bebida que atravessa gerações e contextos sociais, está sempre presente. 

Mesmo com a alta dos preços em 2025, que ocasionou queda nas vendas, o Brasil segue sendo o segundo maior consumidor de café do mundo. 

O que mudou, na prática, é apenas a forma como a bebida vem sendo consumida diariamente em nosso país..

Nesse conteúdo, você vai entender como o brasileiro vem consumindo café atualmente, inclusive os cafés especiais e muito mais! 

Principais pontos do conteúdo

  • O Brasil é um dos maiores consumidores de café do mundo e ocupa a segunda posição no ranking global
  • O consumo interno apresentou queda em 2025, impactado principalmente pela alta dos preços
  • Apesar da retração, o café segue como hábito diário da maioria dos brasileiros
  • Houve mudanças nos critérios de compra e nos formatos de consumo
  • O interesse por cafés especiais, origem e qualidade continua em expansão
  • O café mantém forte conexão cultural, econômica e turística no país

Como foi a evolução no consumo do café no Brasil?

O consumo de café no Brasil se mistura com a própria história do país. Introduzido no século XVIII, o grão deixou de ser apenas um produto agrícola para se tornar parte indispensável da vida cotidiana.

Ao longo do século XIX e início do século XX, o hábito de tomar um cafezinho se consolidou em casas, comércios e espaços públicos.

Com o passar das décadas, o consumo se adaptou à urbanização, à industrialização e às mudanças no estilo de vida. 

De lá para cá, muita coisa mudou no mundo, mas a paixão do brasileiro pela bebida continua firme e forte.

Nos últimos anos, a chegada das cafeterias especializadas no Brasil e a valorização da qualidade dos grãos ampliaram o repertório do consumidor brasileiro, que passou a enxergar o café também como experiência sensorial.

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Brasil é o segundo maior consumidor de café do mundo: mesmo com a alta de preços em 2025, a bebida ainda está presente nos lares 

Mesmo diante de um cenário desafiador, o Brasil segue como o segundo maior consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Dados mais recentes da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) indicam que o consumo interno brasileiro ultrapassa 21 milhões de sacas por ano, mantendo o país na vice-liderança global.

Em 2025, no entanto, o consumo registrou queda devido ao aumento dos  preços. De acordo com dados da ABIC, divulgados pela Agência Brasil, em setembro de 2025, ocorreu uma expressiva redução de 5,41% nas vendas de café no mercado brasileiro, entre os meses de janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período de 2024. 

Ou seja, as vendas caíram de 10,11 milhões de sacas para 9,56 milhões de sacas, segundo a ABIC. O que não chegou a tirar o Brasil do ranking mundial dos maiores consumidores de café. 

Mas, levou parte da população a dar aquele famoso jeitinho brasileiro para manter o hábito de saborear bebida na rotina, seja bebendo menos ao longo do dia ou  priorizando a compra de marcas mais acessíveis.

Fatores como a  força do hábito e o vínculo afetivo com a bebida impediram que os grãos deixassem de chegar aos lares brasileiros no dia a dia.

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Principais mudanças no consumo de café no Brasil

A principal mudança observada está relacionada ao comportamento do consumidor. Com o aumento dos preços, muitos brasileiros passaram a comparar mais marcas, observar promoções e reduzir desperdícios.

Ao mesmo tempo, cresceu o consumo de café preparado em casa, impulsionado pela necessidade de economizar e também pelo trabalho remoto que virou uma rotina desde 2020 para muitos no país.

Além disso, para parte dos coffee lovers, esse movimento também despertou maior interesse em qualidade, moagem correta e métodos de preparo.

Como o brasileiro consome café atualmente?

Mesmo com a alta dos preços em 2025, o café segue sendo consumido diariamente. O método de preparo coado continua como o mais popular, especialmente pela praticidade e tradição.

Porém, segundo dados do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais (CCCMG,)  é possível observar um crescimento do interesse pelas microtorrefações, que são cafés de torra artesanal em pequena escala, produzidos em microlotes, vendidos em grão ou moído, em embalagens que variam de 200 g a 3 kg. 

O que ocorre principalmente entre jovens, consumidores mais curiosos e conectados ao universo dos cafés especiais.

Esse consumo ocorre ao longo do dia, mas é mais concentrado pela manhã e após as refeições, mantendo o café como um elemento de pausa e estímulo.

Como é o consumo de café entre os jovens?

Entre os jovens, o café assume novos significados. Além do consumo tradicional, a bebida aparece associada à socialização, ao estudo e ao estilo de vida urbano

Cafeterias modernas, bebidas geladas, cafés filtrados e preparos diferenciados fazem parte desse cenário.

Esse público também demonstra maior interesse por origem, sustentabilidade e experiência sensorial, ainda que o consumo não seja necessariamente diário para todos.

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Consumo de café em casa

Dentro de casa, o café tradicional ainda domina. A maioria dos brasileiros consome cafés comerciais, preparados em coadores de pano ou papel. 

No entanto, cresce o número de pessoas que experimentam cafés especiais, principalmente grãos ou cafés moídos com informação de origem.

Métodos como V60, prensa francesa e até mesmo cafeteiras elétricas ganham espaço, assim como o cuidado maior com a moagem e a proporção entre café e água.

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Consumo de café nas cafeterias

Nas cafeterias, o consumo está diretamente ligado à experiência. O espresso segue como protagonista, mas métodos filtrados e preparos manuais têm ampliado o repertório do consumidor.

Esses espaços também funcionam como pontos de aprendizado, aproximando o público da história do café, dos produtores e das características sensoriais de cada origem.

Café: a bebida mais amada do Brasil

Em nosso país, o café vai muito além da função de despertar já que essa bebida representa acolhimento, memória afetiva e convivência. Tanto que está presente em reuniões familiares, conversas informais e momentos de pausa ao longo do dia.

E essa conexão se estende, para além do ato de beber em si, fortalecendo o turismo cafeeiro e o interesse por regiões produtoras de café, onde os  grãos se unem à cultura, à gastronomia e à história local.

Consumo de café especial no Brasil

Dados recentes da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) mostram que o segmento de cafés especiais avança  em ritmo acelerado no país, em 2025, com crescimento anual em torno de 15% respondendo por aproximadamente 10% do consumo interno de café no Brasil.

Ou seja, o consumo de cafés especiais segue aumentando, mesmo em um cenário econômico mais sensível. A busca por qualidade, origem e identidade sensorial revela um tipo de consumidor mais atento e interessado em entender o que está na xícara.

Como os terroirs fazem a diferença na boa qualidade do café

Terroir é o conjunto de fatores naturais e humanos que influenciam diretamente as características do café.

Ele envolve clima, altitude, tipo de solo, relevo e também o modo como o café é cultivado e processado em cada região. Essa combinação única interfere no sabor, no aroma, na doçura e na acidez percebidos na xícara

Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Norte Pioneiro do Paraná e Chapada Diamantina são alguns dos exemplos de terroirs brasileiros que oferecem perfis sensoriais distintos, resultado direto de clima, solo e altitude. Essa diversidade é um dos grandes diferenciais do café do nosso país.

Cafés com IG X Cafés especiais

As Indicações Geográficas (IG) têm um papel importante na valorização das regiões produtoras, pois reconhecem a relação entre o café e o território onde ele é cultivado.

Elas ajudam o consumidor a identificar origem, tradição produtiva e características associadas ao local, como clima, altitude e práticas agrícolas.

No entanto, é importante entender que nem todo café especial possui Indicação Geográfica e nem todo café com IG é, necessariamente, um café especial. 

A IG está ligada à origem e à reputação da região, enquanto o conceito de café especial está relacionado à qualidade da bebida, avaliada a partir de critérios sensoriais e técnicos.

Por isso, um café com IG pode apresentar boa qualidade e identidade regional, mas só será considerado especial se atingir os padrões exigidos de qualidade na xícara. Da mesma forma, muitos cafés especiais de alta pontuação são produzidos fora de regiões certificadas com IG. 

Variedades mais procuradas por coffee lovers 

Catuaí, Bourbon, Mundo Novo são algumas variedades de grãos que seguem entre as mais procuradas por coffee lovers porque unem boa adaptação ao terroir brasileiro com perfis sensoriais que agradam diferentes paladares. 

Essas cultivares se desenvolvem bem em diversas regiões do país, respondendo positivamente a variações de altitude, clima e manejo. O que contribui para a consistência da bebida.

Além da estabilidade produtiva, elas são valorizadas pelo potencial sensorial. Catuaí, por exemplo, costuma entregar cafés equilibrados e doces enquanto Bourbon é reconhecido pela doçura acentuada e pela complexidade aromática.

Já o Mundo Novo, se destaca pelo corpo mais intenso e pela versatilidade em diferentes métodos de preparo. 

Essa combinação de adaptação agronômica, qualidade e tradição faz com que essas variedades sigam como referências entre consumidores que buscam cafés especiais brasileiros.

Notas sensoriais preferidas dos brasileiros

De forma geral, os brasileiros demonstram preferência por cafés com doçura natural evidente e perfis equilibrados, características que trazem conforto e familiaridade à experiência de consumo.

Notas de chocolate, castanhas e caramelo estão entre as mais apreciadas, por remeterem a sabores clássicos e facilmente reconhecíveis, muito presentes em grãos de diferentes regiões produtoras do país.

Com o avanço do consumo de cafés especiais, também cresce o interesse por perfis mais aromáticos e complexos.

Cafés com notas frutadas como frutas amarelas, maduras ou frutas vermelhas, ganham espaço entre consumidores que buscam novas experiências sensoriais enquanto os aromas florais, mais delicados, costumam agradar especialmente quem prefere bebidas mais leves e elegantes.

Essas preferências variam conforme a origem do café, o grau de torra e o modo de preparo utilizado.

Leia também: Notas sensoriais no café: como identificar os sabores no seu café

Melhores métodos de preparo para os cafés especiais do Brasil

A escolha do método de preparo influencia diretamente a forma como as características do café se manifestam na xícara. 

No caso dos cafés especiais brasileiros, conhecidos pela diversidade de perfis sensoriais, diferentes métodos permitem explorar nuances específicas de cada origem, variedade e processo. Confira:

  • Métodos filtrados: como V60, Melitta, Kalita e Chemex, são amplamente utilizados para destacar aromas, doçura natural e camadas sensoriais mais delicadas. Eles favorecem uma extração mais controlada, permitindo perceber com clareza as particularidades do terroir e da torra, especialmente em cafés com perfis frutados ou florais.
  • Métodos de extração mais concentrada, como espresso e Aeropress, tendem a evidenciar corpo, intensidade e doçura, ressaltando notas como chocolate, caramelo e castanhas. Esses preparos costumam agradar quem busca uma bebida mais encorpada, sem abrir mão da complexidade.
  • Prensa francesa: é um meio-termo, preservando óleos naturais do café e entregando uma bebida com textura mais intensa, que valoriza cafés com bom corpo e doçura.

Onde encontrar café de boa qualidade e procedência

Perguntas frequentes sobre consumo de café no Brasil

Quem é o maior consumidor de café do mundo?

Os Estados Unidos lideram o consumo mundial de café em volume total, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição, com um mercado interno forte e culturalmente consolidado.

Qual é o estado que mais consome café no Brasil?

O consumo se concentra principalmente na Região Sudeste, com destaque para São Paulo e Minas Gerais, influenciados pela população, tradição cafeeira e presença de grandes centros urbanos.

Por que o café subiu em 2025?

A alta do café em 2025 foi causada por fatores diversos como o tarifaço de Trump, aumento dos pressão do mercado internacional, custos de produção e até mesmo o clima adverso.

Qual é o perfil do consumidor de café no Brasil?

O consumidor brasileiro mantém o hábito diário, consome café principalmente em casa, valoriza preparos tradicionais e demonstra interesse crescente por origem, qualidade e história do café.

Conclusão

Mesmo com oscilações no consumo causadas pela alta de preços, o café segue como parte essencial da vida do brasileiro. O país mantém posição de destaque no cenário global, ao mesmo tempo em que fortalece a cultura do café especial, da origem e da experiência sensorial mostrando que, no Brasil, o café é hábito, identidade e história.

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