Café João & Miguel é vencedor do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais 2025
João Pedro Emerick Ramos, do Alto Jequitibá, foi o grande campeão de 2025 (Foto por: Giulia Gurgel / Itatiaia)

Café João & Miguel é vencedor do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais 2025

Neste conteúdo, você vai  descobrir como é o café especial de Matas de Minas, que  conquistou essa vitória inédita, entender mais sobre o concurso da Emater-MG  2025 e muito mais.

O café de Matas de Minas, produzido por João Pedro Emerick Ramos, tem maior nota já registrada no concurso da Emater-MG 

João Pedro Emerick Ramos levanta, pela primeira vez, o maior troféu do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, entregue em 11 de dezembro de 2025, pela Emater-MG

Aos 24 anos, o produtor de Alto Jequitibá, na região de Matas de Minas, alcança um feito inédito na 22ª edição da premiação conquistando a maior nota já dada em mais de 20 anos de concurso: 93,2 pontos, com o  café João & Miguel classificado pela metodologia da Specialty Coffee Association (SCA)

Durante as provas, os avaliadores se encantaram com o café de João Pedro, que tem um perfil sensorial complexo e encantador, com notas sensoriais de rapadura, mel, limão, floral, jasmim e mamão. 

Neste conteúdo, você vai  descobrir como é o café especial de Matas de Minas, que  conquistou essa vitória inédita, entender mais sobre o concurso da Emater-MG  2025 e muito mais.

Café João & Miguel: Conheça o grande vencedor do Concurso de Qualidade dos Cafés de MG 2025

O lote vencedor apresentado por João Pedro Emerick Ramos tem o nome João & Miguel, em homenagem ao filho do produtor, e entrou para a história da premiação da Emater-MG ao alcançar 93,2 pontos, a maior nota já registrada em 22 anos de concurso. 

Esse resultado coloca o café especial entre os raríssimos exemplares de Minas Gerais que ultrapassam a marca dos 93 pontos na metodologia SCA, um patamar reservado somente  aos grãos excepcionalmente complexos e expressivos.

Sobre a vitória inédita no concurso de qualidade dos café mineiros, João Pedro Emerick Ramos explica que é uma verdadeira superação

“Superação de ter cafés bons assim e ser premiado, né? Porque preparar uns cafés com lotes, com os lotes desses assim, não é fácil. A gente tem muito trabalho desde lá da colheita, no preparo da lavoura. O preparo da secagem, depois guardar, armazenar e despoupar, limpar e depois catar grão a grão para fazer um lote especial desse."

De variedade Catuaí Amarelo, o café vencedor foi apresentado na categoria Cereja Descascado, que é  um método de processamento que preserva a doçura natural do grão e favorece perfis sensoriais mais suaves e equilibrados. 

Para coffee lovers, isso significa uma bebida que junta intensidade e elegância em níveis pouco comuns: especialmente para um lote produzido no sistema de agricultura familiar.

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Notas sensoriais do café João & Miguel (Matas de Minas)

Segundo os avaliadores do concurso da  Emater de Minas Gerais, o perfil sensorial do café João & Miguel impressionou os jurados desde as primeiras rodadas. As notas identificadas foram:

  • Favo de mel
  • Rapadura
  • Limão
  • Floral
  • Jasmim
  • Mamão

Esse conjunto mostra um café de doçura pronunciada, acidez vibrante e perfil aromático refinado, com camadas que evoluem a cada mudança de temperatura.

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Café especial de Matas de Minas produzido por agricultura familiar

A origem do melhor café mineiro, segundo a Emater, é Alto Jequitibá (que fica em Matas de Minas), região produtora conhecida por propriedades menores, topografia acidentada e impacto direto do trabalho manual na qualidade final.

O resultado do lote João & Miguel representa exatamente a força dessa característica regional: cuidado extremo, colheita seletiva e processos pós-colheita bem executados que é explicada pelo produtor João Pedro Emerick: 

Ser agricultor é um desafio muito grande. Ainda mais vindo de uma geração que já mexe com o café. Então, a gente vem melhorando a cada ano que passa. A tecnologia tem ajudado bastante a gente para trabalhar de uma forma melhor. 
Um maquinário, trabalho na lavoura que antigamente meu avô, meu bisavô não tinha. E hoje a gente tem, que facilita. Então, a tecnologia na agricultura foi usada de forma assim muito, para evoluir assim 100% a agricultura.”

Onde comprar o café João & Miguel?

Para quem quer experimentar o café João & Miguel, que entrou para a história do Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, em 2025, como o grande vencedor da 22ª edição, é possível adquirir na loja Rua do Café .

Desbrave novos sabores e aromas, com total certeza, da alta qualidade e origem dos grãos.

O que representa vencer o Concurso Emater-MG?

A  vitória de João Pedro Emerick Ramos é muito mais do que uma premiação importante para o sítio Gilson Garcia, é também uma histórica conquista para Matas de Minas, região que é uma das mais expressivas do Brasil quando o assunto é complexidade aromática e doçura natural de cafés especiais.

Segundo os avaliadores da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o café João & Miguel, produzido por meio de agricultura familiar, é único e conta com um sabor exótico nunca visto no concurso de qualidade de cafés nos últimos anos.

Para as famílias produtoras, como a Emerick Ramos, vencer pode significar acesso a mercados mais qualificados, valorização do trabalho e maior visibilidade.

Já para coffee lovers, o 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais funciona como um excelente termômetro do que há de mais interessante sendo produzido no estado que é referência mundial em cafés especiais.

Vale lembrar que a safra de 2025 foi particularmente concorrida já que  mais de 1.850 amostras de cafés passaram pela triagem do concurso mineiro. 

Como é o Concurso de Qualidade do Café MG da Emater?

O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, realizado pela Emater-MG em parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado e outras instituições do setor, é o mais tradicional certame estadual de avaliação de cafés especiais no Brasil. 

Em 2025, a premiação chega à sua 22ª edição, consolidada como uma vitrine dos melhores lotes produzidos nas regiões cafeeiras mineiras.

O processo começa com a inscrição das amostras enviadas por produtores de das principais regiões de MG:

  • Sul de Minas
  • Matas de Minas
  • Cerrado Mineiro
  • Chapada de Minas 
  • Região das Montanhas (Caparaó/ MG)

Depois da triagem inicial, os grãos são classificados e passam por uma bateria de análises físicas e sensoriais.

Nas etapas sensoriais, por exemplo, os avaliadores treinados aplicam o protocolo internacional da Specialty Coffee Association (SCA), analisando atributos como:

  • fragrância e aroma
  • sabor
  • acidez
  • corpo
  • uniformidade
  • doçura
  • equilíbrio
  • finalização
  • impressão global

Leia também: Veja as maiores regiões produtoras de café no Brasil

A importância do concurso para pequenos produtores de café

O certame também tem caráter social e técnico, já que valoriza a agricultura familiar, estimula boas práticas agrícolas e de pós-colheita e ainda serve como incentivo para que novos produtores busquem qualidade

Para muitas famílias mineiras, a conquista de uma boa colocação no concurso faz toda a diferença porque aumenta consideravelmente a visibilidade da propriedade, tanto na região quanto no mercado nacional e internacional de cafés especiais.

Além disso, o concurso da Emater-MG é conhecido por revelar talentos, fortalecer a imagem de Minas Gerais como maior produtor de cafés de qualidade do país, além de aproximar consumidores, torrefações e produtores de todas as escalas.

Principais categorias 

O Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é dividido em categorias que organizam as amostras de acordo com a origem produtora e o processamento pós-colheita, permitindo assim comparações mais justas e destacando as características específicas de cada território. Entre as principais categorias estão:

  • Regiões Produtoras: as amostras concorrem dentro das quatro grandes regiões cafeeiras reconhecidas no estado (Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Chapada de Minas). Cada região premia seus próprios campeões antes da disputa final estadual
  • Métodos de Processamento: os cafés podem ser classificados de acordo com o método pós-colheita declarado pelo produtor como: Natural, Cereja Descascado (categoria do grande vencedor de 2025) ou Fermentações controladas (quando aplicável e de acordo com as regras da edição)
  • Produtividade e Participação Social: o concurso dá destaque à agricultura familiar, incentivando a participação de pequenos produtores, jovens, mulheres e propriedades que adotam manejo sustentável

Vale ressaltar que essas categorias ajudam a revelar a riqueza sensorial de Minas e a valorizar os diferentes estilos produzidos no estado:  um dos motivos pelos quais o concurso se tornou referência nacional para torrefações, baristas e coffee lovers.

Como é a pontuação? 

  • Cafés especiais: nota acima de 80 pontos
  • Cafés raríssimos /excepcionais: nota superior a 90 pontos

A pontuação máxima é 100 pontos, nota que nunca foi alcançada no concurso, inclusive nas categorias Produtividade e Participação Social e Cereja Descascado, que o produtor João Pedro Emerick foi participante e o seu café João & Miguel atingiu a maior pontuação da história do concurso: 93,2.

Leia também: Regiões com IG: Por que os cafés produzidos nessas regiões são especiais? 

Produtores de café do Sul de Minas também marcam presença no ranking do 22º Concurso de Qualidade da Emater 

Agricultores do Sul de Minas, uma das maiores regiões produtoras de café especial do Brasil,  também integram a lista de vencedores da premiação em 2025.

Pontuações na categoria Natural

  • Rosângela Camelo Sebe Barbosa (Dom Viçoso): 91,4 pts
  • Gabriel Borges Oliveira (Carmo do Rio Claro): 91,1 pts
  • Pieter Keijsers (São Sebastião do Paraíso): 90,6 pts

Pontuações na categoria Cereja Descascado

  • Flávio Roberto Carvalho Ferraz (Dom Viçoso): 88,8 pts
  • João Onofre da Silva (São Pedro da União): 88,7 ptsThiago Chagas de Almeida (Muzambinho): 88,4 pts

Além dos cafeicultores do Sul de Minas, produtores de regiões como o Cerrado Mineiro e Chapada de Minas também entregaram cafés consistentes no concurso. O que  reforça ainda mais o mosaico de perfis que tornam MG um verdadeiro epicentro do café especial brasileiro.

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Lista de vencedores do 22º Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais (2025) 

1º lugar – Geral – Matas de Minas (CD) • João Pedro Emerick Ramos – Alto do Jequitibá93,2 pts

2º lugar – Matas de Minas (CD) • Flávio José Protásio de Abreu – Espera Feliz – 92,8 pts

3º lugar – Matas de Minas (CD) • Tatiane Larissa Quintino – Manhuaçu – 92,2 pts

Matas de Minas – Natural • José Alexandre de A. Lacerda – Espera Feliz – 92,8 pts • Augusto Evaristo Lacerda – Espera Feliz – 92,3 pts • Luiz Felipe Lacerda Gomes – Espera Feliz – 91,2 pts

Sul de Minas – Natural • Rosângela Camelo S. Barbosa – Dom Viçoso – 91,4 pts • Gabriel Borges Oliveira – Carmo do Rio Claro – 91,1 pts • Pieter Keijsers – São Sebastião do Paraíso – 90,6 pts

Sul de Minas – CD • Flávio R. C. Ferraz – Dom Viçoso – 88,8 pts • João Onofre da Silva – São Pedro da União – 88,7 pts • Thiago C. de Almeida – Muzambinho – 88,4 pts

Cerrado Mineiro – CD / Natural • Beatriz A. S. Guimarães – Serra do Salitre – 91 pts • Silvia Nishikawa – Campos Altos – 89,4 pts

Chapada de Minas – CD / Natural • Vicente de Paula R. de Lima – Angelândia – 88,2 pts • Cláudio F. Nakamura – José Gonçalves de Minas – 87,4 pts

Onde fica Alto Jequitibá (MG)?

Alto Jequitibá está localizado na região das Matas de Minas, no leste do estado, e integra também a área da Serra do Caparaó, um dos territórios cafeeiros mais emblemáticos da divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo

O município fica a oeste do Pico da Bandeira e próximo ao Parque Nacional do Caparaó, elementos que influenciam diretamente seu microclima: noites mais frias, dias amenos e maturação lenta dos frutos: condições que favorecem muito o cultivo de  cafés naturalmente doces e complexos.

Administrativamente, Alto Jequitibá pertence à Zona da Mata Mineira (microrregião de Manhuaçu), mas no contexto da cafeicultura e do turismo de montanha é amplamente reconhecido como parte do Caparaó Mineiro.

Essa dupla identidade geográfica explica por que o município se destaca na produção de cafés de altíssima qualidade.

Leia também: Caparaó: o paraíso dos cafés especiais que todo coffee lover precisa conhecer!

Importância da cafeicultura nessa região produtora

A cafeicultura é a principal atividade econômica de Alto Jequitibá, movimentando a renda de grande parte das famílias locais. 

Assim como em toda a região das Matas de Minas, a produção é majoritariamente formada por agricultores familiares, que trabalham em pequenas propriedades e investem em manejo manual, colheita seletiva e cuidado individualizado com o pós-colheita. 

Esse modelo, valorizado pela Emater-MG, é um dos pilares para a alta qualidade que tem colocado a região entre as origens mais premiadas do estado.

É nesse ambiente de tradição, altitude e trabalho familiar que o jovem João Pedro Emerick Ramos produz seu café excepcional, que alcançou a maior nota da história do concurso de qualidade de Minas Gerais, em 2025.

Conclusão

A vitória do café João & Miguel no Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais 2025 marca um momento histórico para a cafeicultura mineira. 

Produzido por João Pedro Emerick Ramos, em Alto Jequitibá (MG), nas Matas de Minas / Caparaó Mineiro, o lote alcançou 93,2 pontos: a maior nota do concurso registrada até hoje.

Da variedade Catuaí Amarelo e processado como Cereja Descascado, o café se destaca pela complexidade sensorial e pela força da agricultura familiar. 

Para coffee lovers, o resultado reforça a importância de conhecer a origem, o terroir e o trabalho por trás de cafés verdadeiramente excepcionais.

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