Como a Geração Z está reinventando o consumo de café no Brasil?
Nesse conteúdo, você vai entender por que o jeito de tomar café entre jovens, já não segue os mesmos padrões das gerações anteriores, incluindo o consumo de bebidas geladas, personalizadas e prontas para beber e muito mais.
A forma como o café vem sendo consumido pelos brasileiros vem mudando bastante nos últimos anos. Isso porque principalmente a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) passou a escolher outros momentos, além do café da manhã, para degustar a bebida, além de preferir diferentes formatos e conferir novos sentidos para o consumo.
Dessa forma, entre jovens adultos, o café deixou de ser só um hábito caseiro, restrito à manhã ou associado apenas à ideia de ter mais disposição ao longo do dia.
A bebida tem estado presente também em diversos horários, em versões variadas e, muitas vezes, como parte importante em momentos de lazer, com amigos e familiares, além de ser uma experiência que merece ser compartilhada nas redes sociais.
Vale destacar que todo esse movimento, não é uma exclusividade do Brasil, na verdade, se trata de uma tendência global, na qual adolescentes e jovens brasileiros vêm cada vez mais aderindo.
Nesse conteúdo, você vai entender por que o jeito de tomar café entre jovens, já não segue os mesmos padrões das gerações anteriores, incluindo o consumo de bebidas geladas, personalizadas e prontas para beber e muito mais.
Principais pontos do conteúdo
- O café segue relevante entre os jovens, mas passa a ser consumido em diferentes horários e contextos do dia, e não apenas como hábito matinal para despertar
- O consumo entre jovens está mais ligado à escolha e situação do que ao hábito diário
- A bebida acompanha momentos de pausa, estudo, trabalho remoto e encontros sociais
- Cafés gelados, cold brew e bebidas prontas para consumo ganham espaço e deixam de ser exceção, impulsionados pelo clima, pela praticidade e pela influência de tendências globais
- A personalização se consolida como parte da experiência: escolhas de sabor, doçura, intensidade e tipo de leite fazem parte do pedido e refletem preferências individuais
- Redes sociais como Tik Tok e Instagram exercem influência direta no consumo, transformando o café em conteúdo visual e inspiracional
- Grandes redes de cafeterias, como a Starbucks, atuam como difusoras de tendências ao ampliar o portfólio de bebidas geladas e personalizáveis voltadas ao público jovem
- O crescimento do café pronto para beber reforça a busca por conveniência e amplia a presença do café fora dos formatos tradicionais
- No Brasil, o aumento dos preços impacta hábitos: cresce o preparo em casa e o consumo fora passa a ser mais seletivo, embora a atenção à qualidade continue alta
- O comportamento do jovem brasileiro acompanha um movimento global, adaptado à realidade local, combinando novas formas de consumo com fatores econômicos e culturais
- O café deixa de ser um hábito, apenas caseiro na rotina diária, porque os jovens priorizam a experiência de saborear a bebida em encontros sociais e momentos de pausa e lazer do dia a dia
Mais do que rotina, um verdadeiro estilo de vida
Pesquisas globais de comportamento mostram que jovens consumidores tendem a enxergar o café como algo mais flexível dentro da rotina.
Relatório da Euromonitor International aponta que a Geração Z valoriza escolhas que se adaptem ao seu dia a dia, ao seu humor e ao contexto social, em vez de simplesmente tomar café para despertar, todos os dias.
Com essa mudança de ponto de vista, é possível observar que o café passa a acompanhar momentos específicos como estudo, trabalho remoto, encontros ou pausas e não está vinculado a um horário fixo como café da manhã ou lanche da tarde.
Essa mudança dialoga com uma rotina de jornadas híbridas, consumo sob demanda e maior autonomia sobre o próprio tempo.
Café como estilo de vida jovem
Hoje, as experiências de consumo incluem desde encontros sociais em cafeterias ou em festivais de café, até as pausas durante o home office ou no trabalho presencial, além do esperado momento de saborear bebidas geladas no dia a dia.
Ou seja, atualmente o café não é visto mais apenas como uma bebida funcional, que serve só para espantar o sono, já que ele se tornou parte do estilo de vida contemporâneo dos brasileiros mais novos.
Enquanto as gerações anteriores a Z associam o café à rotina doméstica, muitos jovens o veem como uma bebida social, a ser compartilhada, fotografada, divulgada nas redes sociais e consumida de maneiras nada tradicionais.
Millennials (nascidos de 1980 a 1996) e Geração Z foram os responsáveis por mudar as expectativas em relação ao café. Isso porque eles valorizam customização, estética, variação de sabores, além de métodos inovadores.
Para esses coffee lovers, a bebida tem a ver tanto com identidade quanto com experiência sensorial. Por isso, eles consomem cafés como forma de estilo, personalidade e pertencimento a um grupo cultural.
Jovens coffee lovers e a busca por cafés de qualidade
Embora o consumo de café seja mais associado ao lifestyle, muitos jovens também demonstram curiosidade pela origem dos grãos, qualidade sensorial e até mesmo pelas histórias por trás da bebida. O que os aproxima dos cafés especiais.
Isso porque as bebidas geladas feitas com cafés de qualidade e métodos adequados podem revelar doçura natural, notas sensoriais aromáticas e equilíbrio, tornando assim a experiência tão rica quanto a do café quente, mas adaptada às preferências do público jovem.
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Café gelado deixa de ser exceção
Um dos sinais mais claros dessa transformação na forma de consumir a bebida está no crescimento do consumo de cafés gelados.
Cold brew, iced coffee e bebidas geladas à base de café se tornaram protagonistas no consumo jovem, especialmente fora de casa.
Dados compilados pela GlobalData indicam que bebidas geladas impulsionam o crescimento do café pronto para beber (RTD) com Millennials e jovens adultos liderando essa demanda.
Em 2023, 24% dos consumidores norte-americanos afirmaram consumir iced coffee diariamente, contra 17% no ano anterior.
Embora o dado seja dos Estados Unidos, ele ajuda a contextualizar um movimento global que também chega ao Brasil, impulsionado pelo clima, pela influência das redes sociais e pela busca por bebidas mais refrescantes ao longo do dia.
Personalização vira parte da experiência
A escolha de sabor, intensidade, tipo de leite ou nível de doçura do café passou a fazer parte do consumo cotidiano entre jovens e cafeterias como Starbucks ajudaram a popularizar esse comportamento.
Relatórios internacionais indicam que cerca de metade dos consumidores mais novos busca produtos adaptados ao próprio gosto.
Além disso, segundo análise publicada pelo Intelligence Coffee, quase 75% dos jovens que consomem café fora de casa optam por bebidas com algum tipo de personalização, como xaropes, sabores ou versões adocicadas.Toda essa liberdade de escolha reflete a lógica das redes sociais, onde bebidas visualmente marcantes circulam, viralizam e influenciam decisões de consumo.
TikTok, Instagram e o café como imagem
As redes sociais desempenham papel central nessa mudança de consumo de café alavancada pelos coffee lovers mais novos. Isso porque TikTok e Instagram se tornaram verdadeiras vitrines para receitas, combinações e lançamentos.
Bebidas coloridas, camadas visíveis, espumas e copos chamativos não só ganham destaque como criam desejo para a Geração Z.
Relatório da WARC aponta que bebidas frias e altamente personalizáveis lideram o crescimento em grandes redes de cafeterias como Starbucks, impulsionadas por campanhas voltadas ao público jovem e pensadas para circulação digital.
Dessa forma, é possível observar que o café está presente, não apenas no consumo do dia a dia, mas também nas redes sociais porque a bebida virou conteúdo, motivo de conversa on-line e símbolo de pertencimento.
Grandes redes de cafeteria também influenciam as mudanças no consumo de café pelos jovens
Cadeias globais de cafeterias têm influência direta nesse processo. Um exemplo é a Starbucks, que ampliou seu portfólio de bebidas geladas e personalizáveis nos últimos anos, justamente para atingir o público jovem.
Segundo reportagem da CNBC, cerca de 32% do café vendido fora de casa por essas grandes redes já corresponde a bebidas geladas, com destaque para consumidores mais jovens.
Essas empresas acabam também difundindo as principais tendências globais de consumo da bebida, influenciando assim cardápios de cafeterias menores e até mesmo as expectativas do consumidor.
Café pronto para beber virou sinônimo de praticidade e variedade para os jovens
Outro formato em crescimento é o café pronto para beber. Latas, garrafas e embalagens individuais atendem a um público que valoriza praticidade e mobilidade.
O Relatório da NielsenIQ aponta que jovens consumidores associam o café instantâneo e o RTD não apenas à praticidade, mas também à variedade de sabores e à facilidade de consumo fora de casa.
O que faz esse tipo de café passar a competir diretamente com refrigerantes, energéticos e outras bebidas geladas.
Brasil: preços altos e escolhas mais cuidadosas
No cenário brasileiro, a mudança de comportamento acontece em paralelo a um fator decisivo: o preço.
Pesquisa divulgada pela Forbes Brasil mostra que 24% dos brasileiros reduziram o consumo de café em 2025, impacto associado à alta acumulada dos preços.
Com isso, cresce o preparo em casa e o consumo fora passa a ser mais pontual. Ainda assim, a qualidade segue relevante: 87% dos brasileiros conhecem o selo de pureza da ABIC, o que indica atenção ao produto, mesmo em um cenário de ajuste.
Leia também: Regiões com IG: Por que os cafés produzidos nessas regiões são especiais?
Tendência global, com sotaque local
Apesar das mudanças na forma de consumir a bebida, principalmente pela Geração Z, o café não tende a desaparecer da rotina dos jovens brasileiros. Mas passa a ocupar novos espaços, dialogando com experiências, estética, redes sociais e escolhas individuais.
Inclusive esse movimento tem sido observado em diversos países e reforçado por dados globais.
Ou seja, o jovem brasileiro não está à margem dessa transformação, na verdade, ele participa ativamente dela, adaptando tendências ao clima, à cultura e às condições econômicas locais.
Conclusão
O café continua na vida cotidiana, mas não está restrito ao café da manhã ou lanche da tarde com o consumo motivado apenas a necessidade de ter mais disposição.
Entre os jovens, a bebida aparece em momentos de pausa, encontro e até em postagens nas redes sociais. Até porque eles valorizam bastante a experiência e a personalização.
Entender essa mudança é fundamental para compreender, não apenas o futuro do consumo de café e suas tendências, mas também como os hábitos se transformam no mundo contemporâneo.
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